Poder Judiciário federal: o que é o STF e como funciona
Esta aba explica como as coisas funcionam hoje: a estrutura, as regras e os números que você pode conferir nas fontes oficiais listadas no fim do artigo. Você encontra algumas reflexões sugeridas pelo autor na aba [Para refletir].
O que faz o Poder Judiciário
Diferente da Câmara e do Senado (que criam as leis) e do Presidente (que administra o país), o STF garante que nenhuma lei, decreto ou ação governamental desrespeite as regras fundamentais estabelecidas na Carta Magna.
O Judiciário é o poder que toma a última decisão em conflitos entre cidadãos, empresas e até mesmo entre governos de estados e municípios. Realiza os julgamentos com base nas leis criadas pelo Poder Legislativo e aplicadas pelo Poder Executivo.
O Supremo Tribunal Federal (STF)
A maior estrutura do Judiciário é o STF (Supremo Tribunal Federal), sediado no prédio do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Site oficial: portal.stf.jus.br.
É composto por 11 ministros indicados pelos presidentes da República em exercício. Cada indicação do presidente deve ser validada pelo Senado, em um processo conhecido como Sabatina.
O teto salarial do funcionalismo público brasileiro tem como base o subsídio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Salário e benefícios
Salário: R$ 46.366,19 mensais.
Auxílios e direitos indenizatórios:
- Auxílio-alimentação: pago mensalmente aos magistrados, no valor aproximado de R$ 1.392,00.
- Auxílio-moradia: devido apenas quando o ministro não ocupa imóvel funcional oficial e atende aos requisitos legais fixados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
- Diárias e passagens: custeio de deslocamentos, hospedagem e alimentação em viagens oficiais pelo Brasil ou exterior em representação do Tribunal.
Gabinete e equipe técnica:
- Assessores jurídicos: cada ministro possui um gabinete próprio com cota de cargos em comissão para contratar juízes auxiliares (magistrados requisitados de outros tribunais para ajudar na instrução de processos), assessores jurídicos e secretários.
- Serviços de apoio: equipe técnica permanente de concursados do tribunal para gestão processual e pesquisa jurídica.
Transporte e segurança:
- Veículo oficial e motorista: carro oficial com motorista à disposição para deslocamentos institucionais.
- Segurança pessoal: acompanhamento de escolta e proteção prestados pela Polícia Judicial do STF e órgãos de segurança pública.
Férias e aposentadoria:
- Férias: têm direito a 60 dias de férias anuais (divididos em dois períodos de 30 dias, referentes aos recessos forenses de julho e do final de ano).
- Aposentadoria: aos 75 anos de idade ocorre a aposentadoria compulsória.
Requisitos para ser Ministro do STF
Para que um cidadão possa ser indicado ao cargo de ministro do STF, é necessário preencher quatro requisitos formais:
- Nacionalidade: ser brasileiro nato.
- Idade: ter mais de 35 e menos de 70 anos de idade na data da posse.
- Reputação ilibada: possuir histórico pessoal e profissional idôneo.
- Notável saber jurídico: demonstrar conhecimento profundo do Direito (não é obrigatório ser juiz de carreira, membro do Ministério Público ou advogado, desde que comprove o notável conhecimento).
Composição atual do STF
Veja os nomes dos ministros (e seus respectivos currículos) que compõem o STF no site do Supremo. Os ministros atuais são:
| Ministro | Indicação presidencial | Data de posse | Ano de aposentadoria |
|---|---|---|---|
| Gilmar Mendes | Fernando Henrique Cardoso | 20 de junho de 2002 | 2030 |
| Cármen Lúcia | Luiz Inácio Lula da Silva | 21 de junho de 2006 | 2029 |
| Dias Toffoli | Luiz Inácio Lula da Silva | 23 de outubro de 2009 | 2042 |
| Luiz Fux | Dilma Rousseff | 3 de março de 2011 | 2028 |
| Luiz Edson Fachin (presidente do STF, 2025–2027) | Dilma Rousseff | 16 de junho de 2015 | 2033 |
| Alexandre de Moraes | Michel Temer | 22 de março de 2017 | 2043 |
| Kassio Nunes Marques | Jair Bolsonaro | 5 de novembro de 2020 | 2047 |
| André Luiz de Almeida Mendonça | Jair Bolsonaro | 16 de dezembro de 2021 | 2047 |
| Cristiano Zanin Martins | Luiz Inácio Lula da Silva | 3 de agosto de 2023 | 2050 |
| Flávio Dino de Castro e Costa | Luiz Inácio Lula da Silva | 22 de fevereiro de 2024 | 2043 |
| Vago | Vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso (outubro de 2025). O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias em 29 de abril de 2026, e a cadeira segue vaga. | ||
Responsabilidades do STF
Controle de constitucionalidade (Guardião da Constituição):
- Julgar leis inconstitucionais: por meio de ações diretas (como a ADI — Ação Direta de Inconstitucionalidade), o STF pode anular qualquer lei federal ou estadual aprovada pelos políticos se ela violar cláusulas ou direitos previstos na Constituição.
- Proteger direitos fundamentais: garantir a aplicação das liberdades individuais e coletivas (como liberdade de expressão, devido processo legal e igualdade de direitos).
Tribunal penal de cúpula (foro privilegiado):
É atribuição exclusiva do STF processar e julgar penalmente as maiores autoridades da República por crimes comuns, incluindo:
- o Presidente e o Vice-Presidente da República;
- Deputados Federais e Senadores;
- Ministros de Estado e o Procurador-Geral da República;
- os próprios Ministros do STF.
Última instância recursal:
- Recurso Extraordinário (RE): julgar casos que começaram em instâncias inferiores (Justiça comum ou estadual), mas cujas decisões finais dependam da interpretação direta de um trecho da Constituição.
- Repercussão Geral e Súmulas Vinculantes: quando o STF toma uma decisão em um caso constitucional relevante, essa decisão passa a valer obrigatoriamente para todos os juízes e tribunais do país, unificando a aplicação da lei.
Resolução de conflitos federativos:
- Julgar disputas jurídicas diretas entre a União e os Estados, ou entre diferentes Estados da Federação.
Outros tribunais da esfera federal
Além do STF, a estrutura federal do Judiciário inclui (Art. 92 da Constituição):
- Superior Tribunal de Justiça (STJ): uniformiza a interpretação das leis federais (não constitucionais) em todo o país; tem no mínimo 33 ministros.
- Tribunais Superiores especializados: Tribunal Superior do Trabalho (TST), Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Superior Tribunal Militar (STM).
- Justiça Federal: Tribunais Regionais Federais (TRFs) e juízes federais, que julgam causas em que a União, suas autarquias ou empresas públicas federais são parte.
- Conselho Nacional de Justiça (CNJ): órgão que controla a atuação administrativa e financeira do Judiciário e o cumprimento dos deveres dos juízes.
A Justiça dos estados, que julga a maior parte dos casos do dia a dia, é explicada em Poder Judiciário estadual.
Esta aba reúne perguntas para você refletir sobre o conteúdo deste artigo. Você pode concordar ou discordar: o objetivo é estimular o pensamento crítico sobre o que foi explicado na aba [Como funciona].
A forma de escolha de um ministro do STF é por nomeação direta do presidente da República em exercício. Por isso é fundamental que um ministro do STF tenha posicionamento neutro e apartidário, já que ele deve ser um guardião da justiça e da Constituição. Quando um presidente indica ministros que são próximos ou estão alinhados à sua ideologia, a instituição passa a ser aparelhada para colaborar com o governo, perdendo seu papel de contrapeso no equilíbrio entre os 3 poderes.
Isso pode levar à anulação e à interpretação tendenciosa de leis aprovadas no Congresso, ou à anulação de decretos de um presidente desalinhado à ideologia dos ministros.
Quando um governo é eleito e consegue dominar o STF, a Democracia fica fragilizada, e isso pode dar início a um governo autoritário.
É certo que o juiz de uma partida seja escolhido por um dos times?
É bom um juiz ficar tanto tempo no poder? É possível mudar o formato.