Quais estados mais contribuem e quais mais recebem recursos federais
Esta aba explica como as coisas funcionam hoje: a estrutura, as regras e os números que você pode conferir nas fontes oficiais listadas no fim do artigo. Você encontra algumas reflexões sugeridas pelo autor na aba [Para refletir].
Todos os estados enviam impostos para a União, e todos recebem parte desse dinheiro de volta. Mas a conta não fecha igual para todos: alguns estados arrecadam muito mais do que recebem, e outros recebem mais do que arrecadam. Os números abaixo usam os dados oficiais de 2025.
De onde vêm os números
- Arrecadação federal por estado: tudo o que a Receita Federal registrou como arrecadado em cada UF em 2025 (impostos, contribuições e receita previdenciária) — total de R$ 2.856 bilhões.
- Transferências recebidas: repasses constitucionais de origem federal feitos pelo Tesouro Nacional ao estado e aos seus municípios em 2025: FPE, FPM, complementação da União ao Fundeb, royalties (petróleo, mineração e energia), IPI-Exportação, ITR, CIDE e compensações — total de R$ 588 bilhões.
- População: estimativa do IBGE para 2025.
Quem mais recebe por habitante
- Acre: R$ 10.403 por habitante — recebe R$ 4,04 para cada R$ 1 arrecadado no estado.
- Roraima: R$ 9.922 por habitante — recebe R$ 3,43 para cada R$ 1 arrecadado no estado.
- Amapá: R$ 9.708 por habitante — recebe R$ 2,88 para cada R$ 1 arrecadado no estado.
- Tocantins: R$ 7.228 por habitante — recebe R$ 2,12 para cada R$ 1 arrecadado no estado.
- Sergipe: R$ 5.658 por habitante — recebe R$ 1,74 para cada R$ 1 arrecadado no estado.
Quem mais arrecada por habitante
- Distrito Federal: R$ 194.688 arrecadados por habitante — recebe R$ 0,00 para cada R$ 1 arrecadado.
- Rio de Janeiro: R$ 23.320 arrecadados por habitante — recebe R$ 0,15 para cada R$ 1 arrecadado.
- São Paulo: R$ 20.935 arrecadados por habitante — recebe R$ 0,04 para cada R$ 1 arrecadado.
- Santa Catarina: R$ 16.522 arrecadados por habitante — recebe R$ 0,10 para cada R$ 1 arrecadado.
- Espírito Santo: R$ 12.043 arrecadados por habitante — recebe R$ 0,22 para cada R$ 1 arrecadado.
Tabela completa (2025)
| UF | População (milhões) | Arrecadação federal (R$ bi) | % do total | Transferências recebidas (R$ bi) | Recebido por habitante (R$) | Recebe para cada R$ 1 arrecadado |
|---|---|---|---|---|---|---|
| SP | 46,1 | 964,7 | 33,8% | 41,4 | 899 | R$ 0,04 |
| DF | 3,0 | 583,5 | 20,4% | 1,9 | 631 | R$ 0,00 |
| RJ | 17,2 | 401,7 | 14,1% | 58,5 | 3.398 | R$ 0,15 |
| MG | 21,4 | 166,5 | 5,8% | 47,6 | 2.225 | R$ 0,29 |
| SC | 8,2 | 135,3 | 4,7% | 13,6 | 1.657 | R$ 0,10 |
| RS | 11,2 | 108,3 | 3,8% | 22,5 | 2.004 | R$ 0,21 |
| PR | 11,9 | 108,0 | 3,8% | 26,3 | 2.211 | R$ 0,24 |
| BA | 14,9 | 51,4 | 1,8% | 53,3 | 3.581 | R$ 1,04 |
| ES | 4,1 | 49,7 | 1,7% | 11,2 | 2.702 | R$ 0,22 |
| PE | 9,6 | 39,2 | 1,4% | 29,6 | 3.093 | R$ 0,76 |
| GO | 7,4 | 38,6 | 1,4% | 16,5 | 2.220 | R$ 0,43 |
| CE | 9,3 | 35,4 | 1,2% | 35,3 | 3.811 | R$ 1,00 |
| MT | 3,9 | 23,7 | 0,8% | 10,6 | 2.715 | R$ 0,45 |
| PA | 8,7 | 22,5 | 0,8% | 33,7 | 3.873 | R$ 1,50 |
| AM | 4,3 | 22,0 | 0,8% | 15,4 | 3.570 | R$ 0,70 |
| MA | 7,0 | 16,4 | 0,6% | 34,8 | 4.964 | R$ 2,13 |
| MS | 2,9 | 15,5 | 0,5% | 7,5 | 2.578 | R$ 0,49 |
| PB | 4,2 | 13,4 | 0,5% | 19,3 | 4.642 | R$ 1,44 |
| AL | 3,2 | 11,1 | 0,4% | 17,7 | 5.492 | R$ 1,60 |
| RN | 3,5 | 11,1 | 0,4% | 15,7 | 4.550 | R$ 1,42 |
| RO | 1,8 | 9,1 | 0,3% | 8,4 | 4.806 | R$ 0,93 |
| PI | 3,4 | 8,9 | 0,3% | 18,4 | 5.431 | R$ 2,06 |
| SE | 2,3 | 7,5 | 0,3% | 13,0 | 5.658 | R$ 1,74 |
| TO | 1,6 | 5,4 | 0,2% | 11,5 | 7.228 | R$ 2,12 |
| AP | 0,8 | 2,7 | 0,1% | 7,8 | 9.708 | R$ 2,88 |
| AC | 0,9 | 2,3 | 0,1% | 9,2 | 10.403 | R$ 4,04 |
| RR | 0,7 | 2,1 | 0,1% | 7,3 | 9.922 | R$ 3,43 |
Como ler esses números
- Os estados do Norte e do Nordeste recebem proporcionalmente mais. Isso é intencional: os critérios do FPE e do FPM favorecem locais com menor renda per capita, para reduzir as desigualdades regionais, um dos objetivos da República (Art. 3º, III, da Constituição).
- São Paulo, Rio de Janeiro e o Sul arrecadam muito mais do que recebem em transferências constitucionais.
- A arrecadação é registrada onde o tributo é pago, e não onde a pessoa mora. Grandes empresas e bancos recolhem na cidade da sua sede, o que infla os números de São Paulo, do Rio de Janeiro e, principalmente, do Distrito Federal, onde estão sediados o governo federal e estatais como o Banco do Brasil e a Caixa. Por isso o DF aparece com a maior arrecadação por habitante. Estudos que redistribuem a arrecadação pelo local de consumo e de renda (como o do FGV IBRE citado nas fontes) mostram diferenças menores entre as regiões, embora São Paulo continue sendo, de longe, o maior contribuinte.
- As transferências constitucionais são só uma parte do que a União gasta em cada estado. Ficam de fora os gastos diretos do governo federal (aposentadorias do INSS, Bolsa Família, SUS, universidades e servidores federais), as emendas parlamentares, os convênios e o Fundo Constitucional do Distrito Federal, que paga a segurança, a saúde e a educação do DF.
Entenda as regras dessa divisão em Repartição dos tributos e o debate sobre ela em Pacto federativo.
Esta aba reúne perguntas para você refletir sobre o conteúdo deste artigo. Você pode concordar ou discordar: o objetivo é estimular o pensamento crítico sobre o que foi explicado na aba [Como funciona].
Redistribuir recursos entre regiões mais ricas e mais pobres está na Constituição. A pergunta que fica é se esse dinheiro está chegando de fato à população na forma de serviços melhores, e quem fiscaliza o seu uso. Você sabe quanto o seu município recebe de FPM por ano e onde esse dinheiro é aplicado?